segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Conta um segredo.

Mil quatrocentas e quarenta horas e posso dizer que muita coisa mudou por aqui.
Há um novo quarto, melhor arrumado e mais escuro. Não, escuridão não é sinônimo de tristeza. Talvez até seja, mas o escuro aqui é um lugar particular, criado para refúgios necessários em determinadas situações. Muita coisa mudou por aqui. Tudo organizado de outra forma, com novos conceitos, novas formas de encarar as situações. Como se em meio a intensos vendavais e terremotos a vontade de reestruturar as coisas fosse maior e o ponto de partida fosse a estranha falta de lágrimas, marco de que alguma coisa está mudado por aqui.
O coração é um bicho muito estranho de se entender e eu sempre tive muitos problemas com ele por querer ouvi-lo em demasia. Pois bem, resolvi deixá-lo quieto, nesse canto escuro do quarto. Batendo num ritmo próprio, decidiu por si que o mundo é pequeno pros seus desejos e que a vontade de ver, sentir, experimentar e viver é maior do que suas cicatrizes e mágoas - que ainda rondam por ai. Um conjunto de parar de sofrer demais porque a vida passa - e rápido - com um mundo todo pela frente e ferramentas altamente particulares para explorá-lo. Qualquer situação é vivida intensamente desde então por ele. Muita coisa mudou por aqui, que se limitava a experimentar o já conhecido por insegurança. Bendito seja o ritmo próprio que o coração resolveu bater. Próprio, particular, único, característico. Egoísta, guerreiro, perseverante, altruísta, decidido. A felicidade, que antes estava em olhar pro outro antes, se tornou foco principal da vida e a tinta que pintou as paredes do quarto. Primeiro eu, depois eu e em seguida os que habitam por aqui. Deus que me perdoe, só quero ser feliz e pra isso preciso olhar pra essa nova organização e dizer que tem meu jeito, meus desejos. Minha cara, meus objetivos. Depois da bagunça, até o canto escuro é assim.
As vezes as coisas acontecem e muitos dizem "por acaso". Não consigo acreditar em acaso quando tudo acontece no momento em que tem que acontecer, com os personagens que tem que participar, com as bagunças que tem que acontecer. Sair de um casulo e dar as primeiras batidas nas asas é um sinal muito bom de que as situações servem para muita coisa, as pessoas que talvez não sabem aproveitá-las como se deve e talvez, por isso, falam de "acaso". Sei lá, as coisas tem que acontecer e mesmo que não se entenda porque, lá estão elas, prontas para ensinar algo, desarrumar uma pilha de livros aqui, soprar um vento mais forte ali, construir um canto escuro acolá, colocar o passado guardado numa caixa de fotos e cartas, preenchido de lembranças e sorrisos e dores.
Nessa saída de casulo descobri um novo cômodo, mais forte, mais indiferente, mais decidido. Com mais amigos, com mais situações de limite, com menos paciência, mais prático, mais determinado. Menos meloso, mais orgulhoso, mais engenhoso. Com novas cores, tons de vermelho desconhecidos que, com algumas manchas, formam novas estampas que caracterizam e dão nome ao cômodo. Sair do casulo tem lá seus benefícios.
Muita coisa mudou por aqui. Optei por assumir meus anos de vida e não desejar tê-los mais pra frente. Optei por um coração que bate mais lento, optei por caminhar com meus pés. Opto por ouvir meus gostos, opto por ler de novo o mesmo livro, por ser nostálgica, romântica, perdida, sonhadora, pé no chão, menina. Opto por sair o dia inteiro, por buscar meus sonhos sozinha, por me acostumar com as buscas em companhia da fé. Opto por ser mais mulher, mais feminina, mais madura. Opto por ser feliz, por me arrumar mais, pela postura, pelo sorriso no rosto independente da situação. Opto pela dança esquisita, pela liberdade de expressão, pela bebida mesmo não sabendo beber. Pela crítica, pela opinião, pela psicologia. Opto pela liberdade que experimento todos os dias, pronta para bater minhas novas asas e descobrir novas estampas pro meu quarto, escuro, mas que agora tem nova e particular organização. Opto por ser coroada rainha de mim.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Um pedaço de mim voltou e foi embora.

Juro que não estava chovendo no dia que você apareceu. Se estivesse, o tempo abriria e o sol sairia, brilhante e forte, trazendo calor e vida ao meu rosto e ao meu coração. Eu juro que não esperava e a impressão que eu tive é que voltei pro dia que você foi embora, no dia em que você me ligou propondo uma despedida comunitária. Te digo que não me despedi porque não gosto disso e confesso que você levou um pedaço do meu coração pra longe, pra outro estado, pra outro mundo. Quando você apareceu com esse pedaço, parecia que ontem foi o dia que você foi embora e hoje, voltou. Pra mim? Não preciso explicar as sensações, você reparou e falou logo que minha mão tava suada e meu coração batendo mais forte. Você também pediu pra eu sorrir de verdade pois "eu estou aqui, não tá vendo?" Sua mão na minha mão, seu beijo respeitador, seus abraços apertados de surpresa, sua companhia o tempo todo. O pedaço do meu coração. Seu sorriso, sua voz, a maciez do seu toque. Tudo o mesmo. As brincadeiras, seu cheiro, a paciência e a alegria me escutar, o interesse pelos acontecimentos e a companhia no melhor lugar do mundo. Exatamente tudo igual a quando você foi embora. Até o jeito de me estudar com o canto dos olhos e os comentários sobre a leitura ruim das pessoas, sobre a música e sobre a minha voz mais ruim que você considera boa pra cantar. Sua mão na minha mão, entrelaçadas, apertadas. Seu olhar de canto de olho e um sorriso pequeno que denota felicidade. Você veio trazer o pedaço do meu coração de volta e com ele refrescar as lembranças de uma história forçada a terminar. E veio continuar escrevendo? Continuar do ponto de ônibus, da festa, da dança, do beijo roubado? É de lá que esse história deveria continuar, de onde nunca deveria terminado se a felicidade se escreve em outras letras e em outros lugares que nossa inteligência não pode entender. Não depositei minhas esperanças no seu sorriso e em seus elogios pra mim. Tudo é muito irreal, logo você volta pro seu mundo carregando o pedaço do meu coração que deixei com você. Algo impossível ronda seus gestos e eu não iludirei com isso, pode deixar. Logo você vai voltar pro seu lugar, eu sei pela sua postura, mesmo que o interesse em estar comigo e a companhia da noite fosse clara, para todos, que sua intenção era outra. Mas você vai voltar pro seu lugar, como já fez, levando o pedaço do meu coração de volta.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Irracional, inseguro, incerto.

O que é o amor?
Um bicho estranho que não tem nome
Que entra em pedir licença
Que não sabe o que quer.
Uma luz intensa que faz cegar
Que consome, que faz brilhar.
Uma presença doce que faz bem
Que faz tremer
Que possui uma memória de ouro
Que inunda, que invade.
Uma melodia suave que toca aos ouvidos
Uma canção que não se cansa de repetir
Uma força que impulsiona pra onde quer
Uma história boa de se contar.
É um carinho, um abraço na chuva
Um beijo inesperado
Um olhar intencional
Um frase de efeito
Um turbilhão de emoções...
A possibilidade de ser altamente irracional
Enquanto o mundo vive de razão
A vontade de se jogar na névoa, no abismo de outro coração
É a falta de certeza, é um tiro cego no ar
É dividir a solidão, é colocar o sorriso em outro
É esquecer da vida, não pensar no tempo...
É ferida que dói e não se sente, é dor que desatina sem doer
Uma mistura de ódio e rancor que tem como consequência a loucura
Um fechar os olhos, se prender a um olhar e se cegar ali...
Um mundo de ilusões que muitos poetas se perderam
Um mundo perdido em sentimentos
Um lugar seguro em muitos estão
E eu quero ser mais uma
Pois quão irracional, inseguro e incerto é viver sem amor?

domingo, 3 de novembro de 2013

Descaradamente me tenha amor.

Sabe qual é a minha vontade agora? Te ligar e dizer que sinto saudades. Que quando vejo qualquer foto sua lembro do seu cheiro e que o primeiro presente que você meu deu continua em cima da minha cama. Aliás, um pouco antes dessa situação toda em que estamos, revelei uma foto nossa num dos momentos mais especiais que passamos juntos. Eu não consegui rasgá-la, ela continua dentro do meu armário e de vez enquanto pego nela e fico lembrando daquele dia: brigamos no dia anterior, brigamos um pouco antes, fomos brigados pro momento, mas já entrando você disse que eu estava mais linda do que você tinha me imaginado. Ah sim, sabe aquele chaveiro que eu te dei? Não tive coragem de tirar da minha chave de casa e vira e mexe pego nele sem querer - ou querendo.
A vontade que eu tenho é largar todas as confusões e me lançar sobre você, me jogar no seu abraço, me confortar em seus carinhos. A vida se tornaria mais leve, acredito eu. Às vezes penso que se estava mais ou menos com você está pior sem você. E as únicas lembranças que tenho de nós são as boas, incrível. Eu queria sentir raiva de você, olhar pra tudo que passamos e falar que você não serve pra mim. Queria dar ouvido às pessoas, que às vezes falam que você não me merece porque me fez sofrer e chorar algumas vezes. Queria sentir nervoso do seu perfume e da sua presença, e não querer saber da sua vida ou do que você está sentindo. Queria não quer cuidar de você, não me preocupar, fazer ouvido de mercador pros seus problemas.
 Mas minha vida está muito conectada a sua. Tudo me lembra você, tudo me traz nossa história, tudo eu ainda compartilho da sua presença. Sim, isso não se limita ao trabalho; você invadiu meu mundo e não me pediu licença, só pediu pra que eu abrisse a porta. Mas eu não abri, né... Eu escancarei. E por isso tem sido difícil ficar sem você. Tem sido muito intenso sentir tudo isso, tem sido muito intenso pensar no melhor pra mim. Eu depositei em você a minha felicidade, meus sonhos. Me abri por inteiro, me acomodei tanto em você que agora está difícil de se abrir pra outros momentos. Me sinto cansada só de pensar na possibilidade de conhecer outra pessoa e me abrir de novo pra alguém. Você já me conhece, sabe dos meus paradoxos e vícios. Isso tudo é muito estranho porque parece que vivemos seis anos juntos. Mas não: foi tudo intensamente vivido em seis meses e agora não sei o que pensar. Sempre temi o tempo e deixei rolar porque a convicção da felicidade era tão grande, a certeza de que ficaríamos juntos por um longo tempo era tão grande que me acomodei a você de forma que depositei minha vida em você. Foi rápido, intenso, muito, um descuidado. Namoros se constroem com o tempo, com o passar das situações; em pouco tempo tivemos brigas de casais que vivem juntos, vivi situações em que enxerguei uma vida de casado e não percebi o quão longe esses somente seis meses estavam indo. Tarde demais pra quem já havia se entregado por inteiro - por mais que você discorde. Dentre muitos erros que consigo enxergar agora, a minha entrega por você foi intensa demais; não me reservei, não guardei o melhor pro final. Esqueci de colocar limites, me entreguei demais; me coloquei toda pra você e esqueci de fechar alguns espaços pra mim. É isso que pulsa no meu coração... Se ao menos o "demais" tivesse vindo de ambas as partes, meu pesar seria menos confuso e intenso e talvez nem estivéssemos nessa situação horrorosa. Não houve divisão de intensidades... Foi o muito pro quase muito e eis nossa maior faísca. Continuo com vontade de te ligar e pedir pra você me buscar aqui em casa pra ficarmos juntos na sua casa enquanto as pessoas não chegam. Essa vontade não passa porque me lembro de ter abraçado você e te beijado com todo meu amor e isso te fez me abraçar mais forte e demonstrar seus sentimentos por mim no meio da sala. Ainda sinto seu carinho e seu olhar carinhoso sob mim enquanto eu me esparramava no sofá.
 Se ao menos você me prometesse que daria certo e que não mediria esforços pra me fazer feliz... Se eu sentisse que você se entregaria agora, sem reservas ou conceitos prontos, sem orgulhos, a fim de arriscar. Isso pra mim é amor e eu posso dizer que te amei muito durante seis meses; tenho noção que me dei por inteiro, sem reservas, de forma errada, mas sem medos. Se você me mostrasse que faria qualquer coisa por mim também... Se eu tivesse a certeza de que daqui há seis meses nossa história estaria começando mais uma vez de novo, sem confusões, sem brigas, apenas por termos a certeza que cada mês é uma certeza de que fizemos o que pudemos pela felicidade um do outro...

sábado, 2 de novembro de 2013

Loucuras...

Faça loucuras por mim. Saia da sua zona de conforto e mostre pra mim e pro mundo o quanto você diz que ama. Me coloque na parede e fale que sem mim sua vida está com o rumo tradicional, como manda a rotina. Me puxe pelo braço, olhe nos meus olhos e me mostre, rude, os seus sentimentos. Passe por cima dos seus princípios enraizados nas suas experiências. Seja incoerente com o que falava que não faria em um namoro e faça por mim. Me mande flores, sabendo que eu odeio, peça pro entregador falar pra minha mãe que é o homem da vida da filha dela que está entregando. Ligue pro meu pai e converse com ele, pedindo a ele a permissão pra tentar me conquistar. Passe por cima de todos os meus orgulhos e me mostre que somos feitos um pro outro. Cative minha família, se mostre disposto a encarar a desaprovação da minha mãe com carinho e paciência, conquiste-a agora, ligue pra ela e tenha longas conversas mostrando à ela que você se importa comigo e me quer bem. Mande uma mensagem pro meu pai, se dispondo a levá-lo na próxima consulta médica e no caminho converse com ele, animadamente, sobre nossa história e o que você pretende por mim. Apareça na minha casa pra conversar com meus pais sem mim, mostrando o que você pretende na vida pra me fazer feliz. Diga pra eles que está trabalhando muito porque sonha em me dar o melhor. Diga que está crescendo no trabalho, que pretende um outro trabalho no futuro pra ser um homem digno pra mim, que mesmo parecendo que você não quer nada porque as vezes está muito cansado, só pensa no melhor pra mim em você. Mostre pra minha família o quanto você me ama, mostre pros meus amigos que você me quer bem. Procure nas redes sociais minhas amigas mais próximas e converse com elas, perguntando qual a melhor maneira de me conquistar, de me fazer feliz. Fale pra elas que você não foi justo comigo no começo, mas que agora vai fazer melhor com os conselhos delas, entenda que elas me conhecem muito bem ao ponto de te ajudar a ser o namorado que toda mulher quer ter apesar de todos os defeitos. Puxe conversa com meus amigos, são poucos mas homem se entende com homem, eles também podem te ajudar a me cortejar, a balançar meu coração. Me surpreenda, me faça feliz por nada, seja melhor do que você é. Deposite todas as suas fichas em mim, mostre pro meu mundo que você está depositando suas fichas em mim porque você me ama muito e faria qualquer loucura por mim. Mostre que sou essencial na sua vida, se abra pra mim ao ponto de me assustar com a profundidade dos seus sentimentos. Convença-me, permita que meu mundo me convença, conquiste-os para me conquista mais. Me mande uma carta inspirada que me faça chorar, coloque chocolates na minha bolsa com um bilhete demonstrando que você está ao meu lado e está tentando me conquista de novo. Me faça uma serenata, por mais brega que seja, com nossa música. Seja careta, moderno, infantil, maduro, coerente, proativo, determinado. Desfaça meus medos com os seus defeitos, me prove que nossa história não terminou, dê seu máximo pra estar comigo, exija de mim carinho e atenção, me ame apesar de. Não se feche mesmo que haja motivos pra isso, ultrapasse as barreiras que turbilhões de sentimentos colocaram entre nós, me reconquiste, me convença que vale a pena, que juntos somos melhores mesmo com as diferenças. Esqueça as falas frias e os pedidos de distância. Faça loucuras por mim.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Vendaval.

Cento e sessenta e oito horas já se passaram... Meu celular ficou silencioso, respirei fundo mais vezes durante o dia, me senti mais tranquila, sem preocupações maiores que me tirassem a atenção, passei a observar as pessoas e seus comportamentos, li mais, estudei mais, fiquei mais tempo em casa. Acordei menos triste, acordei mais pensativa, mais tranquila, menos ansiosa. Pensei mais vezes no que eu disse, pensei antes de falar. Prestei atenção na aula, escrevi mais textos, sorri por coisas bobas. Passei a olhar vagamente pro nada, a conversar mais complexamente, a ignorar conversas e olhares, a me concentrar no pouco pra esquecer o muito. Ouvi as músicas com um ouvido mais crítico, ressuscitei canções que não ouvia há um tempo. Procurei aproveitar as situações cotidianas pra observar minhas próprias ações e tornar essa observação positiva.
Tudo isso mudou... Por fora.
Por dentro, me sinto como num quarto que foi revirado a procura de algo muito valioso. Não sei onde estão as coisas, não me sinto a vontade em mim, há muitos pensamentos confusos e roupas espalhadas pelo chão. Há cheiros no ar, lembranças espalhadas na estante, junto com as folhas de sonhos abertas, rasgadas, perdidas. Assim está meu interior, completamente bagunçado. A culpa não é de ninguém. Dizem que é preciso bagunçar o que estava aparentemente arrumado para conferir nova organização, eu falei isso. Mas sempre que enxergo uma organização, um novo vendaval adentra pela janela sem pedir licença, fazendo cair algumas pilhas de livros e espalhando algumas folhas no chão. Tudo muito subjetivo, impessoal, frio, pensado. Como num ensaio, planejo cada ação minha com medo de sofrer ou de ser transparente demais; a cada olhar, em cada gesto, um pensamento, um ensaio. Há uma tentativa forte de manter organizado o pouco que tenho. Em 168 horas e alguma organização que se preze, tenho sido muito sincera, opaca, fria e reflexiva. Ter um quarto muito organizado em estruturas seguras não me permitiram observar rachaduras no canto do teto ou possíveis infiltrações que apareceram atrás da porta. Tudo isso porque essa organização, apesar de não ser perfeita, estava me mantendo firma nas decisões e nos passos. O vidro da janela ficou mais opaco: assim ninguém enxerga muito facilmente minha bagunça; as tentativas de organização são pensadas e repensadas, de forma que o que sai é o mais sincero possível, fruto sempre do esforço de carregar os livros, catar as folhas no chão, dobrar as roupas. Tudo em silêncio, pelo canto dos olhos, com uma música de fundo e uma seriedade que eu não conhecia em mim. Há cento e sessenta e oito horas procuro os motivos para essa zona no meu quarto. Procuro entender porque não olhar mais uma vez e sentir a esperança de uma nova tentativa; porque não surto e sucumbo ao que sinto... O que sinto? Uma ausência, uma vontade de fazer parte de novo, a percepção de como eu estava conectada a uma outra vida... As pessoas falam isso, tenho reparado. É tudo muito junto, as particularidades ficaram pequenas diante da intensidade. A vida em que coloquei minha felicidade tem tudo muito bem arrumado, as pessoas se aproximam dela de forma segura também, dá pra sentir isso de longe. As pessoas se aproximavam da minha vida porque a outra era seguro? Onde está minha vida nessa história? Onde eu a coloquei pra viver outra? O que faz parte do meu quarto? As pessoas vem até mim porque tenho uma vida segura?
A vontade é encontrar respostas e uma possível organização em outros lugares, em outras conversas, em abraços. Mas a organização desse quarto depende de mim pois vou fazê-lo de forma particular e pessoal, ninguém poderá adentrar nele enquanto estiver essa zona. Visitas não são bem-vindas. Só dá pra ver pela janela. Ou caso haja força e se arrombe a porta.

sábado, 26 de outubro de 2013

Palavras.

As palavras costumavam fluir mais fáceis antes. Claro que há sempre um filtro que separa o que devo guardar ou colocar pra fora. Mas há um tempo aprendi a falar, sem filtro, sem pensar. Confesso que foi um passo e tanto pra mim. Com o senhor do tempo, aprendi a me expressar, mesmo que não quisesse, mesmo que não fosse necessário, mesmo que atrapalhasse tudo. Falar se tornou prática básica da minha rotina e inserir essa prática na vida foi importante.
 Mas como eu disse antes, as palavras costumavam fluir mais fáceis antes. Apesar de falar sempre, falar o que eu sinto nunca foi uma ação muito fácil pra mim, pois sou confusa e paradoxal muitas vezes, e talvez muitas das vezes em que falei o que sinto não foram momentos bons ou não fui clara o suficiente. Muitas dessas palavras não sabem se posicionar, são desequilibradas, não sabem onde ir, são pensamentos soltos.
 Daí que meu interno foi incoerente com meu externo. Aprendi a falar tudo sempre, para me tornar clara, pra fazer fluir, mas pensar "demenos" desequilibrou ainda mais meus pensamentos e causou confusão - ela, senhora das minhas palavras, que saiu de mim pra se abrigar um tempo em outro lugar.
 Eis o motivo do paradoxo...
"Minha desequilibradas palavras são o luxo do meu silêncio", já dizia Clarice. Meu excesso de palavras desequilibradas são o resultado de um silêncio necessário, que eu preciso para organizar meus pensamentos e dar sentido àquelas que me expressam. Não fico em silêncio porque sou obrigada a falar, por mais estranho que seja. O que não era preciso, agora se tornou necessidade, fator de dissolução de agonia, causa para uma paz momentânea. No turbilhão de sentimentos em que vivi, um turbilhão de pensamentos me assolam e com eles um turbilhão de palavras e pensamentos soltos. Desequilibrados, com necessidade de serem remoídos e digeridos.
Então chega... Preciso de equilíbrio entre o interno e o externo. O meu silêncio é um espaço que solidão nenhuma pode se abrigar, mesmo que por vezes outra solidão tenha me feito companhia. Entre o sim e o não, eu opto por mim. Em silêncio.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Don't shiver anymore...

As dúvidas e o solo inseguro me motivaram, espero que tenha entendido. Não ia conseguir continuar andando de mão dada pela rua sem um adjetivo oficial antes do seu nome. Por isso foi "rápido".
Mas estou bem, se quer saber. Senti um alívio e uma vontade de viver que há muito eu não sentia. A culpa não é sua. Eu estava cansada e me desgastando em algo que não ia dar certo.
Daí que seu perfume ainda ficou no ar, seu cheiro de roupa limpa ainda me surpreende na rua e meu telefone anda silencioso. O meu maior medo nisso tudo é a minha solidão, que aparece quando eu não tenho ninguém pra me distrair dela. Ainda não tô me sentindo sozinha e espero não me sentir. Mas receio sentir isso. Tá tudo bem, eu prometo. Não sou muito de voltar atrás e então ficaremos assim. Aliás, pra voltar atrás agora eu deveria estar apaixonada. Eis uma lição que você deixou: pra estar com alguém eu preciso me apaixonar. Adorei isso e pretendo levar pra mim, pra futuros relacionamentos.
Mas... Eu já me apaixonei na vida? O que é se apaixonar? Como alguém age quando se apaixona? Não sei o que é isso, talvez eu já tenha sabido, mas me esqueci. Acho que meu coração resolveu guardar um pouco isso por já ter se cansado em algumas situações. Sei que não sou A que mais sofreu de amor, mas já sofri bastante. Mas será que eu já me apaixonei por alguém?
Talvez eu deva ter sentido isso, em algum momento tolo da minha vida. Apaixonar-se é meio irreal pra mim nesse momento. Então sinto que minhas carências e solidões virão à tona. OU NÃO.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Tentativa

Tá, eu ensaiei a semana toda pra sair bem dessa conversa. Mas o fato é que não foi nada disso. Incrível: a gente só sente falta daquilo que tem por perto quando as circunstâncias fazem com que se perca. E vou ser dramática dessa vez, porque eu sou assim. Você me pediu pra eu não ser assim, mas não deu: o abraço de despedida tá durando até agora e eu já me arrependi de ter dado a largada pra essa "tentativa". Sério, minha vontade era de voltar correndo e te abraçar forte e dizer que eu gosto de você, que eu tô disposta a tentar encaixar nossos mundos se você quiser. Quis voltar e pular no seu pescoço pra me sentir segura, como sempre e sentir suas mãos fofinhas junto das minhas. Me arrependi apesar de saber que é necessário. Somos diferentes. Mas eu gosto de você e já tô sentindo sua falta. Porque eu também que você fique perto de mim, que você fique comigo. Porque eu quero que você me dê bom dia e boa noite e porque quando eu tô com você tudo fica bem. Não esquece de mim nessa semana, por favor. Talvez até lá eu veja que meu sentimento é forte pra nós ficarmos juntos e eu ser capaz de me adequar a você. Não se desapega de mim, não esquece que eu existo, não me deixa. Eu sou carente e me sinto segura com você, não me esquece. Me encontra sem querer no ônibus na terça ou me liga na quarta com uma notícia sensacional. Me deseja boa prova no sábado e domingo me fala que também tá disposto a seguir de onde paramos. Você também é inesquecível na minha vida, a nossa história não pode morrer sem tentativas de dar certo. Eu tô disposta a tentar. Tenta comigo também? Eu posso não entender nada de rock, mas com paciência eu tento. Eu posso te explicar o que vai acontecer em julho e você até pode ir comigo. Diz que você quer oficializar e repete que você me quer perto de você, que você quer que eu fique contigo. Tudo vai ficar bem, eu garanto. A gente é diferente mas eu adoro quando você me abraça na escada rolante e diz que me adora. E eu fico super satisfeita que fazem sete semanas que você vai ao shopping direto porque tá comigo. Eu já tô sentindo falta da suas ligações a noite e das besteiras que falamos. Me liga amanhã então, dizendo que não aguenta e que tudo vai ficar bem. E me abraça e diz que me adora, porque é disso que eu mais tô sentindo falta já. Mas tá, seja o que Deus quiser. Que Ele me ajude, mais uma vez e sempre.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Intenções.

Se envolveu e nem sentiu. Aos poucos o encantamento foi se tornando paixão, que se tornou gosto, aos poucos permeados de desejo. Desejo, ainda não sabia o que era isso até que a noite caiu e a chuva acabou com seus planos. Ainda bem, diria depois. Com a chuva, não puderam sair. A casa estava vazia e as luzes haviam se apagado. Não tinham combinado nada desse tipo, mas o fato de estarem juntos já garantia uma boa sexta-feira. Tinha os longos cabelos molhados, usava uma blusa velha de banda de rock dele que havia pegado sem ele saber na gaveta. Não estava atraente, não pensava em estar. Apenas queria que noite terminasse bem. Ouviu o barulho do chuveiro cessar e logo ele apareceu, charmoso, com a barba por fazer, sorrindo e parando, a observá-la, na soleira da porta. Seu rosto se transformou em desejo assim que a viu, o sorriso se tornou malicioso e, ainda que ela sorrisse perguntando o que havia, os planos daquela noite já estavam traçados. Trocaram algumas palavras e as velas vermelhas que ela acedia deram o toque que faltava na decoração. Sem pensar, beijaram-se, com carinho, paixão. As mãos másculas e fortes passaram pelas costas magras e aproximaram seu corpo do dele, permitindo um contato mais firme. Ainda na soleira da porta, as mesmas mãos elevaram sua perna morena e torneada, denunciando as intenções de ambos. Não precisou de mais nada. A blusa velha de banda foi lançada pra longe e a barba por fazer arrepiava seu corpo todo. Lançou-a na cama, aproximando-se lentamente com carinho. Arranhava suas costas definidas lentamente enquanto mordia sua orelha, pois sabia que isso o levaria a loucura. Loucura, pensaria ela mais tarde, seria se eu não me apaixonasse por ele... As velas se consumiram enquanto a paixão falava mais alto naquele ambiente. Jamais fora tão querida e desejada por homem nenhum e, naquele momento, tinha se entregue aos seus desejos mais profundos, libertando tudo o que havia prendido por conta do tempo. Se sentiu amada, respeitada, viva. Ele poderia ser o seu complemento, sua outra metade. Quando o ápice daquela bomba de sentimentos consagrou a noite, fechou os olhos e se sentiu mulher, a mais realizada que já ouvira falar. Seus olhos percorreram a cama e a criatura ao seu lado. Havia nele um ar de leveza, um sorriso saudável, iluminado. As mãos másculas se uniram às mãos meigas e o fogo das velas se apagaram. Não havia necessidade de iluminar o ambiente já que havia luz suficiente pra aquecer e dar vida aquele lugar. Ninguém poderia interpretar ou entender aquele momento sublime em que os olhos falavam mais que mil palavras e o silêncio traduzia todas as falas internas daqueles seres. Haviam se completado, apaixonadamente, inexplicavelmente, eternamente. Talvez o desejo estivesse traduzido em amor. Talvez fosse cedo demais pra afirmar isso. Talvez a chuva consagre mais momentos e as mãos se estrelassem mais vezes. Talvez as intenções falem por si.

domingo, 28 de outubro de 2012

Shiver.

Foi do nada, eu juro. Tudo bem que eu sabia que um dia o ônibus me daria uma boa história pra contar, mas não essa história. Sempre a história, me envolvendo, me levando a situações engraçadas, inusitadas. De onde você me conhece? Por que sabe meu nome e sobrenome? De onde você veio? São muitas coincidências e perguntas que um coração calejado tem e que, sendo inocente, precisa responder. Eis que você surgiu, acelerou meu coração a tempos esquecido, escondido. Sério, eu pensei em guardar meu doce coração pro ano que vem, já que nesse ano ele foi explorado demais. Até tinha esquecido como era quando ele resolvia dar o ar da graça. Me esqueci como é pensar em alguém o dia todo... E daí que você me corresponde. Cara, de onde você veio? Já estava pronta pra me forçar a afastar você da minha rotina mas você quer entrar nela, fazer parte, me entender... Sou complexa demais pra você me entender, acredite. Até meus gostos musicais complexos você é capaz de se envolver... De onde você veio? Isso parece estranho. É como se você fosse a batida que faltava na trilha sonora da minha vida e eu tenho medo de me arrepender ao me soltar nessas emoções. Não posso ser empolgada, solta, pronta pra me lançar nisso sem te conhecer melhor, sem que eu saiba um pouco onde estou pisando. Preciso ser prudente, porque meu inocente coração já quer te encontrar amanhã e quando você vai embora, uma ansiedade toma conta de mim que eu não consigo me conter... E olha que costumo ser bem transparente pra demonstrar ansiedade e nervosismo. Mas é só você falar que tudo se acalma, as borboletas no meu estômago posam. Pareço uma menininha de alguns anos, descobrindo o encantamento. Acredite: esta não sou eu. De onde você veio, me fazendo passar por isso tudo? Você me encanta, me faz entender músicas melosas e lembrar de você quando alguém passa com seu perfume. Isso não é paixão, é encantamento, é querer ficar perto, conversar o dia todo, ter borboletas no estômago... Espero que isso dê certo. Você me chama de simpática e querida por todos, diz que tá afim também. Quero depositar minhas fichas em você, eu devo? Se eu puder, vai dá muito certo. Don't u shiver?

sábado, 25 de agosto de 2012

Desejos...

Não quero dar ponto final, quero atrapalhar sua vida, quero desviar o seu caminho, quero te mostrar que você é pra mim, que podemos ser felizes e quanto você mexeu na minha rotina. Quero conversar no ponto de ônibus livremente, sem motivo aparente. Quero que essa conversa termine com meu coração na boca, com minhas mãos suando e com sinos tocando. Quero apostar todas minhas fichar em você e saber que as suas fichas estão apostadas há muito tempo em mim. Quero que você me mande mensagens de bom dia todas as manhãs e diga, mais uma vez, que eu te encanto e que o que você mais quer é ficar comigo. Quero andar de mãos dadas pela noite estrelada, sentir seu cheiro de menino sempre que te abraço, quero que você me abrace na mesma alegria e no mesmo carinho que na primeira vez. Quero que você me mande indiretas bobas, que peça que eu me afaste de garotos que eu não mereço. Quero sentir que você tem ciúmes quando um cara olha diferente pra mim. Quero receber seu cuidado, me sentir única e exclusivamente sua. Quero receber um beijo apaixonado e intenso, como se fosse a primeira vez. Quero sentir que você confia em mim de olhos fechados e que posso ser um porto seguro na sua vida. Quero sentir sua mão na minha, seu afago no meu cabelo, ouvir seus elogios inocentes. Quero que meu sorriso seja fruto das suas piadas, que nossas conversas continuem sendo infindáveis, que as músicas sejam feitas pra nós e que os bosques ganhem mais vida com nossa presença. Quero amadurecer esse sentimento e dizer que é amor, falar pra todo mundo que você é meu e que não há alegria maior do que te ter ao meu lado. Quero estar nos nossos lugares favoritos junto com você, ter espasmos de alegria quando entrarmos nas livrarias, quero sentir seu braço no meu ombro quando eu chorar e receber mensagem de consolo no dia seguinte. Quero conversar sobre nada, sobre tudo, sobre provas, sobre gostos, sobre amigos, sobre música. Quero cuidar de você quando você passa mal, quero que você cuide de mim. Quero que suas promessas se cumprem... Quero sair pra dançar, quero ouvir sua censura às músicas e ao meu vestido, quero dançar colada em você. Quero me sentir segura mais uma vez - e de forma única -, quero que você me leve até o ônibus e me beije pela janela. Quero ouvir suas alegrias, quero fazer parte delas. Quero que seu rosto se ilumine ao meu ver, que meu coração palpite quando eu te vejo. Quero fazer parte da sua vida, quero te apresentar pra minha família, quero que você faça parte do meu dia-a-dia. Quero visitar nosso melhor amigo do mundo, agradecê-lo porque estamos juntos, buscar viver com você o mesmo que a família mais centrada que o mundo viveu enquanto terrena. Quero não ter vergonha de contar aos nossos apoios o que fizemos na festa no sábado passado e poder relatar esse fato com a convicção de que estamos seguindo pelo caminho certo. Quero poder contar com você pra levar meus projetos pra frente, quero te contar como foi meu dia, te esperar sair da aula, almoçar com você, saber que você tá no corredor do meu prédio me esperando. Quero poder deitar no seu ombro, te ensinar inglês, dar o braço ao caminhar, sorrir alto na rua, correr ao atravessar a avenida, ver um filme de terror sem medo, ter companhia nos sábados a noite, gastar todos os meus créditos com mensagens pra você, comer no nosso lugar favorito, tirar fotos com poses diferentes, incrementar a família do coração, acordar e agradecer a Deus por ter você. Quero aprender a lidar com seus defeitos, admirar suas qualidades, saber do seu passado. Quero saber que você é paciente com meus defeitos e observador das minhas qualidades. Quero me arrumar pra te encontrar, quero que você me elogie ao me ver dizendo que já esperava aquela roupa porque me deixa mais bonita. Quero encontrar seu olhar na multidão, quero ver você desviando o olhar quando eu o encontro e seu sorriso bobo ao perceber que eu vi tudo isso. Quero entrelaçar meus dedos magrinhos nos seus dedos grossos, quero ouvir você dizer que meu gosto musical é um lixo. Quero aprender a dançar com você, quero ser exemplo de cristã com você, quero que nossa amizade se solidifique antes que haja sentimento. Quero que o centro do nosso relacionamento seja nosso melhor amigo e que não haja outra maneira de ser feliz se não for assim. Quero respirar aliviada e de alegria ao saber que vou te encontrar daqui a pouco. Quero ouvir que você me esperou a vida inteira e que eu te completo, como você me completaria.


sábado, 11 de agosto de 2012

Da série, fala coração.

Confesso que prefiro você longe de mim. Longe, me sinto a vontade pra te olhar mais vezes com os olhos de pidona, sempre me perguntando "por que não...". Posso cantarolar músicas que me lembram você sem que você note indiretas em cada verso; posso mexer no meu cabelo várias vezes sem que isso demonstre que tô querendo que você olhe; posso fazer caras e bocas, me sacudir na batida da música, fechar o olhos e aproveitar o momento sem que você me ache estranha.
Dizem que a distância aproxima as pessoas e eu não concordo. Dependendo do tamanho da distância ela afasta e ajuda a melhorar muitas coisas - inclusive a doce amarga ausência. Paradoxal até cansar, é isso que eu acho. Explicado, então, porque te exorto tanto, te afasto de mim, quero você longe. Meu coração não suporta sua presença/sua ausência. Querer que você esteja ao meu lado é algo que ele clama e que eu insisto em teimar em querer também. Você me completou - mesmo que isso tenha me dado um peso absurdo nas costas - por pouco tempo e mesmo nesse pouco tempo pude sonhar, fazer planos mirabolantes e até mesmo descobrir que não sei ser prudente. É, pra você ver, as palavras se repetem porque o meu coração, INOCENTE, não conseguiu tirar sua ausência de dentro dele.
Pasme, continuo nutrindo ínfimos sentimentos, ainda que eles sejam dilacerados quando você chega perto. Mais uma vez paradoxal, sua presença dilacera meus sentimentos porque é nítido sua não adesão a esse tipo de amor. E o que eu faço diante disso? Desejo arduamente que você saia de perto de mim, que me esqueça, que não necessite da minha amizade, que é a única coisa que eu posso oferecer e que você aceite. Digo a única porque eu poderia te oferecer muitas coisas boas que meu coração guarda há anos... Mas você não aceitou e eu não te culpo por isso. É transcendental, não me compete, está além do meu conhecimento. Não posso querer algo que nunca foi meu. Mas vai dizer isso pro meu coração?
Pois então vai embora, me deixa sozinha, encolhida, sofrendo. Sou acostumada a me consolar depois de situações como essa e passar por isso, de novo, não vai ser difícil. As vezes acho que meus sentimentos não deveriam se abrir pra mais ninguém... Porque cansa sofrer, sabia? Cansa você apostar suas fichas em algo e não dar em nada. Aliás, sempre dá na mesma coisa: eu, sofrendo e amando. O outro, amando e amando. Já me acostumei com essa realidade, acredite. Não quero é me consolar por muito tempo, você não merece esse sentimentalismo todo...
Eu queria muito que essas palavras fossem de adeus. Queria não, quero ainda. As coisas vão tomar o rumo delas e você vai embora, pra eu respirar fundo e seguir minha vida em frente.
Pode ir, eu vou ficar bem. Não garanto que vou te esperar; sua vida está certa há muito tempo, só você não viu. Que o Transcendente te ajude a enxergar isso. Torço por você, que seu coração encontre a alegria plena em algo que eu não esteja por perto. Caso eu esteja, lembre-me de ir embora também, pois enquanto eu estiver por perto você vai sentir e ver de perto a dor da saudade e o aperto de querer estar sempre perto de você.

sábado, 7 de julho de 2012

Desabafo

Pois é, eu tenho um coração inocente. Irritavelmente inocente. E eu não sei como lidar com ele. Muitas pessoas não reconhecem isso e eu, particularmente, prefiro assim. Não me culpe por ficar feliz com a sua presença ou criar esperanças com algumas palavra. Meu coração é inocente, mesmo com tantos sofrimentos passados, mesmo com situações vividas de forma parecida. Eu acho que ele já deveria ter aprendido a ser mais prudente e pensar antes de agir. Acredito que há cicatrizes suficientes nele pra ele agir assim, tão impulsivamente. Eu juro que penso antes - e penso mesmo, não é justificativa -  mas ele se contenta com pouco, por vezes foi até mesquinho. Só precisa de um pouco de carinho e resquícios de presença pra solidão dele. É teimoso, pois sabe que pode sofrer e se lança. É auto-confiante quando se lança sem medos, sofrendo logo em seguida. Adora lembranças e insiste em relembrá-las; quando sente saudade sente tanto que chega a doer; faz planos com músicas toda noite; e de tão inocente é sonhador com os pés no chão. Está aprendendo a ser prudente, mas isso vai demorar pra se fixar nele...
O que eu faço com ele? Tenho vontade de arrancá-lo do meu peito pra ele pulsar sozinho em outro organismo que corresponda a tanta inocência. E aí ele tomaria uma lição por ser tão carente e querer se abrigar tanto em outro coração emblemático, perdido, confuso. Talvez desse modo eu arrumasse um coração que encaixasse direitinho no meu peito, que permitisse uma pulsação frequente ao meu ritmo, às minhas decepções. Ele poderia ser forte, maduro, calejado de tanto sofrer, mas que soubesse lidar com as tristezas melhor que o meu coração, inocente.
Coração, qual é o seu problema? Pulsar por corações que não te merecem a vida toda não foi suficiente pra você aprender e perceber os campos certos de se fixar?
A culpa é minha em não conseguir dançar conforme a música. Mas é sua também. Que não me deixa, que me assombra, que me trata bem demais a ponto de me derreter com um cheiro diferente. Não precisa mudar seu jeito, mas me esquece, me deixa, sai de mim. Finge que o que vivemos não existiu e que não passou de um sonho real. Não se preocupe se vai doer, já dói demais do jeito que tá e pra dor meu coração é forte como um touro. Por mais inocente que ele seja.
Logo logo vai ele se prender a um outro coração que o mereça mais que o seu, não é impossível de achar. Isso sempre acontece: meu coração, assim como o seu, precisa de alguém que cuide dele. Você já achou - e que cuidado. E o meu vai achar também. Quem acredita sempre alcança, já dizia o poeta. Mas antes que ele se prenda a outro, eu preciso seguir em frente no quesito sentimento (por mais libertário que esse sentimento seja) atrelada a um coração inocente - sem cura eminente - e à uma solidão que esqueceu de deixar de ser presença.
Entenda: o processo é lento. Eu cresci, mas meu coração esqueceu de crescer junto comigo.

domingo, 24 de junho de 2012

Amor que liberta

Certa vez, numa novela do estilo "mamão-com-açúcar", a personagem sonhadora disse que amava muito seu ex-namorado que estava se casando com outra mas que, mesmo isso machucando muito seu coração, ela queria vê-lo feliz. Vindo de uma personagem sonhadora, é o mínimo que se espera. Ainda que isso seja estranho em novela com ibope já que os livros de auto-ajuda, a maioria dos conselheiros amorosos e os conhecedores natos da arte de amar pregam a luta pelo amor, indicam até simpatia. Tudo balela, concordo com a personagem. Sentimento verdadeiro, sincero, que valha a pena comentar, é aquele que liberta. A felicidade do outro é o que importa, mesmo que pra isso você não esteja tão feliz assim. Não é uma atitude fácil, mas é possível. Acredito também que esse tipo de opinião abafa dores de amor quando fica-se feliz com o pouco que o outro demonstra, ainda que isso faça doer. Tamanho desprendimento numa sociedade egoísta e "clichemente" individualista. Pode parecer romântico demais, mas é uma realidade que, adotada, ajuda a superar muitas situações desconsertantes e presenças inesperadas - ou esperadas. Isso contribuiu para o seu equilíbrio, caso haja desequilíbrio. Mas acima de tudo, auxilia a desprender aquilo que você gostaRIA que estivesse preso a você.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Simplesmente aconteceu.

Minha rotina deu um 180º em alguns dias. Não te culpo e nem amenizo a culpa também. Foram dias de ansiedade, expectativa e medos. Contudo apostei. Apostei em algo que meu coração deu sinais de sentimento, como se me mostrasse que a capa de titânio que o envolve pudesse ser aberta por algo que valeria a pena. E abri um pedaço, fazendo com que a minha solidão encontrasse com a sua presença e se apossasse dela como forma de se manter pulsante. O encontro foi ávido, sedento por vida, sem prudência, entregue. Por dentro era vivo. Por fora, contido. Pena que nem tudo são flores e sonhos só são sonhos quando totalmente ligados a uma realidade possível - mesmo que isso seja racionalmente contraditório. Não tem mais você e eu - aliás, teve eu e você. E tudo voltou a ser só eu.
Aliada então, a lembranças vivas e a uma saudade que dói, vou levando meu coração, com a fresta que se permitiu abrir cicatrizando lentamente já que é inevitável que doa. Não se preocupe com isso, eu tenho o vício de me machucar. Tenho um coração carente, solitário e inseguro, que continuará assim até que outra vez bata e me diga pra apostar em uma presença paradoxalmente viva. Mas poupe-me de mais palavras para tentar explicar tudo isso. Do turbilhão de palavras que você incitou, eu prefiro o silêncio.

domingo, 10 de junho de 2012

A comunicação muda.

"O que nos salva da solidão é a solidão de cada um dos outros. Às vezes, quando duas pessoas estão juntas, apesar de falarem, o que elas comunicam silenciosamente uma à outra é o sentimento de solidão." (C.L). Sou obrigada a discordar que a solidão se salva nos outros. Por vezes, ela se encontra na solidão dos outros e se torna mais solidão ainda. E por tornar tão grande e insustentável, ela se divide no outro e se agarra a pouca presença que o outro tem e se esquece de ser solidão. Se esquecendo, aprende a compartilhar da presença, das palavras e se divide mais, até se tornar inteiramente presença. Quando esse processo é diferente, a solidão não aceita e teima em arrancar presença do outro, mesmo que essa seja ínfima, só pra se garantir o resultado final previsível. O que ela não sabe é que nem sempre a solidão do outro quer se dividir e, mesmo que a pouca presença seja usada, a solidão alheia quer se manter sozinha, intacta. Concordo que, silenciosamente, as "solidões" se comunicam; e quando isso acontece, a quase presença chora pois não sabe se poderá desfrutar mais da solidão de outrem que se manifestou tão completa e certa. Paradoxal até cansar, mas é assim que minha solidão funciona. Algumas respostas a esse paradoxo vem do lugar mais incerto porém sincero e amoroso. Elas chegam na velocidade que querem, a hora que querem e do jeito que querem. E parece que elas virão trazendo doses certas de solidão, extrema, pesada, pronta pra arrancar qualquer tipo de presença ínfima. Seja lá o que as repostas trarão, eu espero que a minha solidão se sustente e que aprenda a se bastar, pelo menos por mais um tempo.

sábado, 9 de junho de 2012

Jogo de palavras.

Parece que as palavras se esgotaram da minha cabeça. Não sou capaz de juntar palavras decentes em um texto que exponha o que sinto. Qual é o mistério? Era pra ter vários e vários desabafos expressos em palavras soltas - mesmo que elas não transmitam dor ou solidão. Como uma caixa de lembranças, é pra isso que textos funcionam. Além de fazer com que seus sentimentos sejam compartilhados, ao meu ver, minhas palavras servem para que momentos sejam eternizados.
Se bem que já confessei que prefiro ser uma fiel leitora a uma escritora fajuta. Só escrevo quando dói, mas queria escrever agora também. O problema é que não consigo escrever uma linha, uma narrativa, um poema. O turbilhão de palavras que surgem no meu peito parece que somem quando tento colocar pra fora. Por que será que elas somem? Daria para escrever um livro com tudo o que está acontecendo e creio que a maioria das pessoas que lessem a história acreditariam piamente que é mais uma narrativa romântica dos contos do século passado. E que o final seria totalmente previsível só por conta do título e da capa. 
Pois bem, daria pra escrever esse livro se as benditas que o compõem não estivessem sumido - mesmo que esse final fosse totalmente imprevisível. Logo elas, minhas fiéis companheiras que por vezes escapolem da minha boca, o que me permite um rubor nas maças do rosto seguido de um carinho com um sorriso. Elas que me denunciam, que me rendem; que te acusam em silêncio por me fazer sorrir, por tentar ser paciente, por desconsertar meu dia e minha rotina. São elas, doces e cheia de intenções que permitiram novas perguntas, novos pensamentos.
Mas como elas não querem sair, espero que saiam para fazer um texto que guarde minhas lembranças. E que não expressem dor. Se expressarem, sei que as mesmas palavras estarão te consolando.

sábado, 28 de abril de 2012

Confesso.

E aí que busco a finalidade pelo qual escrevia. O bom de ter alguns textos é poder analisá-los depois de um tempo. Atualmente, tenho reparado que escrevia porque sofria de amor. Como não sofro mais - tanto assim - não escrevo mais, como se o combustível tivesse acabado. Se eu fosse poeta, estaria no final da minha carreira. Acontece que os assuntos não acabaram; só ganharam uma nova abordagem, dei uma configuração nova. Dúvidas e respostas negativas ainda pairam sobre meu cotidiano, as lembranças de uma memória fértil se mantem como fantasmas e os sonhos de uma debutante, mesmo que um pouco amadurecidos, ainda resistem em existir. Minhas cartas não possuem mais endereços. Mesmo assim, analisando minhas palavras, eu vejo que me apegava a textos direcionados pra me consolar de forma mesquinha, acreditando que isso fosse solucionar meus sofrimentos. E vejo também que o assunto era sempre um sonho de amor, como um poeta no século XIX, definhando por não ter a mulher amada. Que tipo de amor eu sentia? Com qual finalidade eu me estudava? Será que quanto mais maduro e com o nível intelectual ganhando forma, o coração fica mais centrado pra receber as flechadas do amor?
O problema é que mesmo com esse nível se formando, minha dúvidas e as repetições musicais para uma possível reflexão continuam, de forma que posso observar que oscilo entre o centrado e o sensível, quase deixando o sensível tomar conta. Como uma debutante.
Quero a sorte de um amor tranquilo, maduro e sincero, que me dê a certeza de que posso usar minhas palavras para outras finalidades além de descrever e sofrer e me consolar de dores de amor. Que por sinal, fazem bem, mas precisam ter uma dose certa.
Aliás, se eu fosse poeta, eu poderia recomeçar minha carreira hoje...

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Puzzle

Abriu a porta com uma força que não partia de si. Há muito não se lamentava de abandonar um lugar por circunstância da tão temida realidade. Talvez se a porta tivesse batido com força a vontade de voltar fosse diminuída e as lágrimas não brotassem ao fechar o elevador. Era hora de partir, mas deixava pra trás um pedaço do seu coração.
Agora, longe, pensou que mentira ao falar que gostava tanto. Estava gostando e muito, como há muito não gostava de alguém. Ele não estava tirando sua paz, não se sentia mal por gostar tanto assim e era pior quando estava sozinha. Ainda não poderia precisar nenhum tipo de sentimento, mas o que pulsava dentro dela estava sendo sincero e natural.
A vista embaçada e os pés fora do chão conduziram uma cabeça fora de si. Ao mesmo tempo que queria voltar e esquecer do tempo, perdida naquele abraço sincero e nos carinhos que agradavam, precisava seguir sua vida, encarar a verdade. Havia uma leve confusão em sua mente e seu coração continuava pulsando, clamando por um nome, implorando como uma criança mimada. Andaria léguas sem rumo se fosse necessário, se desligaria do mundo, fugiria das responsabilidades, arriscaria novas sensações, se entregaria. Mas sua razão temia por erros questionáveis e a privação por outrem impediam que seus sonhos fossem postos em prática.
Quanta inconsequência pra uma pessoa que havia aprendido tanto com tropeços passados e prometido não amar tanto a ponto de querer abandonar tudo. Não sabia o que iria acontecer no futuro pois acreditava que receberia advertências, sofreria por não agradar, teria que conviver com desaprovações...
Tudo se perdeu de sua mente quando palavras fizeram brotar um sorriso em seus lábios e um arrepio doce invadiu seu corpo, com a certeza de reciprocidade e de que tudo ia ficar bem.